Notícias

12/04/2018 08:33:49

Casa de artesã foi ponto de apoio a moradores de ocupação no ABC que terminou nesta terça

Casa de artesã foi ponto de apoio a moradores de ocupação no ABC que terminou nesta terça

Há sete meses os portões brancos de ferro da casa própria de Rosa Rodrigues da Silva, de 62 anos, estão constantemente abertos. De touca na cabeça, ela avisa que é artesã "mas agora de salgados e doces", produtos dos quais provêm a renda que ajuda a sustentar os filhos, netos e as sobrinhas que adotou.

Na manhã do dia 1° de setembro de 2017, após entender o motivo do barulho provocado durante a madrugada em que os integrantes do MTST ocuparam o terreno de 78 mil metros quadrados vizinho à sua residência, em São Bernardo do Campo, ela decidiu colaborar com o movimento.

O espaço abrigou 8,1 mil famílias, de acordo com o MTST, e chegou a ser alvo de protestos violentos de moradores da região. Após acordo com o governo do estado de São Paulo, os últimos integrantes deixaram o local na tarde desta quarta (11).

Logo no segundo dia da ocupação, Rosa conta que abriu a casa e ofereceu comida, água, e o banheiro de seu já populoso lar. "Não tinha como abrigar porque aqui tem gente dormindo até na sala", afirma ela, que reside com filhos e netos.

À porta da ocupação e há três décadas sob teto firme construído por ela, a artesã diz saber como é a vida sem moradia.

"Conheço essa história. Veio tudo na minha memória. Hoje tenho minha casa, mas se não tivesse lutado muito, estava morando na favela até hoje", narra ao resgatar da memória o tempo em que viveu em na comunidade do Parque São Bernardo, também em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

"Sem luta não há vitória. É luta e sacrifício. Cada bolha de sangue na mão era mais um bloco construído dessa casa", garante.

O déjà vu calibrou a empatia e transformou sua casa em um ponto de apoio para os moradores da ocupação.

Na tarde desta quarta-feira (11), a garagem do imóvel acomodava parte dos pertences das últimas famílias que esperavam um caminhão da mudança após saírem do terreno.

"Meu sonho é que todo mundo tenha paz e consiga ter um pouco. Que não seja assim, uns com tanto e outros sem nada. Não quero muito, não. [Quero] alimento na mesa, educação e minha casa sem chover [dentro]. Ah! E liberdade de expressão, né? É o que a gente precisa."

A auxiliar de serviços Rayane, de 25 anos, foi uma das 11 últimas pessoas a deixar o local. Junto com o parceiro, que conheceu em umas das cozinhas da ocupação, celebrava a perspectiva, ainda que futura, da casa própria, e da conquista mais recente: "Estou bem feliz. E ainda ganhamos uma cachorrinha", sorria ao acariciar o animal que não saía de seu colo.

Desempregada e sem condições de bancar um aluguel, a jovem viu na ocupação uma alternativa de endereço fixo. Morou no local durante três meses, e descobriu como funciona o movimento. "Foi muito bom, aprendi a ajudar, respeitar o próximo e a brigar pelo nosso direito à moradia", resume.

Também recém-chegado ao MTST, Elivalter, de 34 anos, parceiro de Rayane, deixou o interior da Bahia há três anos em busca de trabalho na capital paulista. Nesse período, revela que fez de tudo um pouco. "Tem que desenrolar, né? Fui garçom, ajudante geral, auxiliar de depósito, pintor, ajudante de pedreiro. De tudo a gente faz."

Morava com um meio irmão até o casamento do parente acabar e ambos precisarem deixar a residência. Soube do movimento e fez morada no local com uma barraca de camping sob a lona.

"Pela idade que tenho, já tive algumas lutas, mas nada se compara a essa aqui. Fiquei mais companheiro, solidário, prestativo. Não dá pra ser sozinho em uma ocupação. Se tiver que pegar água, você não consegue abastecer a cozinha sozinho. Sempre tinha as reformas dos barracos também. É tudo feito coletivamente. Quem disser que entra aqui para lutar só por si está mentindo, porque isso não acontece."

Durante a estadia, aprenderam a superar e conviver com outros receios. "A gente tinha mais medo de bicho do que da polícia. Era muita gente e todo mundo se protegia e era protegido. Mas no terreno tinha escorpião, aranha", descreve.

(Foto: Celso Tavares/G1)

G1



Voltar

Entrevistas

  • Deputado Estadual Edegar Pretto (PT)
    • Deputado Estadual Edegar Pretto (PT)

    • 25/04/2018 11:35:18
  • Espaço Saúde- Campanha alerta sobre os riscos da pressão alta informações com Leno Falk
    • Espaço Saúde- Campanha alerta sobre os riscos da pressão alta informações com Leno Falk

    • 25/04/2018 10:09:26
  • Previsão do tempo. As informações para esta quarta-feira e os próximos dias.
    • Previsão do tempo. As informações para esta quarta-feira e os próximos dias.

    • 25/04/2018 10:08:44

Últimos recados

    • 21.03.2018
    • NEI JOSE DIAS PACHECO
    ALGUNS ANIVERSARIANTES DE HOJE - 21.03.2018 JOAO MARINO DOS SANTOS - TOMATE, LEONARDO CARVALHO, JOSE ROGERIO MACHADO SALLES, CARMEM LUCIA MARTINS PATIAS, GENY SILVEIRA RIBEIRO, CARMEM LOTTI, VIVIAN LOTTI, ENARA GUTERRES. favor divulgar nas sociais, obrigado.
    • 05.02.2018
    • Maria do Carmo Costa
    Antigamente acompanhava todas as notícias da cidade pelo site. Por que agora não tem mais, e quando tem são atrasadas? Fica difícil saber das novidades pela rádio... só bobagens.
    • 19.12.2017
    • Marcelo Peixoto Marques
    Um abraço para minha querida Tupanciretã!
    • 10.12.2017
    • Luíz Veríssimo
    Bom dia um abraço a todos os amigos da minha querida Tupanciretã , ótima programação
    • 02.10.2017
    • Larissa Fernanda
    Oi boa tarde me chamo Larissa Fernanda estou sem contato com o pessoal de Tupã, sou de santo Ângelo e estou tentando ligar pro meu namorado que mora em Tupã, Cristiano Siqueira desde ontem e não consigo contato nem com a família ... aguardo notícias.
    • 02.10.2017
    • GENESI DA SILVEIRA
    Oi bom dia estou ouvindo a radio Tupã ,e estou triste em saber que o temporal fez estrago em minha querida TUPANCIRETÃ .Abraços aõ amigos de Tupã ,e principalmente para toda minha familia do POR DO SOL.e para vocês ai na radio.

Categorias